quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Non

Esses teus passos têm insistido
Na mais doce canção que
Me ouviu cantar um fim...
Fico doente na pressa das Horas
Em que explode a palpitação,
De costume dormente.
Devias caminhar até mim, devias...
Numa saga insana
Da procura deliberadamente proibida
Para que o fogo-fátuo
Se torne na mais bela partitura
De uma dança intensa que
Eternize esse teu sorriso
Repleto de um olhar, só meu.
Que vem de mim, que Foi só teu.
Porque és feito desse ópio
Sábio de sexo, imerso em sabor
Que me adorna as vestes
Servidas da suculência
Provocada por esse teu sopro
Sopro...! Vivo e louco
Não me dês mais serenidade
Carrega-me, antes, desse teu
Romance viril, macho, que eu tanto desprezo
Ah...! Mas não tornes a dançar comigo
Esse teu balanço doce
Que me fez terminar a Canção.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Foi como entrar...

Quem quiser que atire a primeira pedra
não aprendo mais... apenas não o quero.
esse exacerbo corrompe infindo a nudez
dos corpos que se entregam à malícia da felicidade
não, não se pode negar
é flagrante delito! ah ah
não, não... não se pode transfigurar
é grave ser esquecido no tempo.


toca à porta, ninguém te vai atender
mas toca... pode ser que percebas que quem tem a chave...
és tu.
mas não esperes durante muito tempo
toca, e acelera o pensamento
não esperes muito no que corre o desalento
ou toca e foge
também é serviço para muito satisfeito
mas toca! antes que o som se desvaneça na podridão da poeira de Nada...

Un Peu De Grâce

 ...de onde pairam as asas imóveis
que libertam o suspiro da delicadeza
é o som onde procuro toda beleza
é na vaga passada da partitura em legato
que pinta a frieza da emoção.
Pois que o amor seja feito tristemente
em plenitude de consciência demente
para curar os loucos que nele procuram a fuga
e se é a vida que bate em monótono arritmo
é o teu suspiro que me faz respirar
com as asas de uma brisa
que pairam ao sabor do teu beijo doce
do teu enleio fraterno
da nossa razão perdida no amor eterno

L'amour c'est vous, mon cher...!

domingo, 31 de julho de 2011

Uma Boa Noite

Mas se tudo o que passa na preocupação é vão
então farei questão em marcar todos os instantes nas pegadas das horas
que criei nesta montanha-russa da paixão
que todos dizem não passar da adrenalina de uma volta.
Não. essa volta terá outra volta e a seguir ainda uma outra
na constância de um equilíbrio que tenta os Céus e o Diabo
e que corrobora toda a veracidade de tais prolixos ideais.
Encontrem ao fim do dia a luz vaga e suave que adorna a vossa palpitação
aquela luz de presença que te mantém calmo e sereno
essa, que me desfazendo de todo o egoísmo, só eu a conheço.
E é conhecendo-a que me permito aprender e dar por certa e cumprida a minha missão.
Não a conheço porque quis, ela simplesmente se deleitou em meus braços
como a pérola anómala de uma ostra que avulta na sua pequenez
movendo as mais conturbadas águas.
Nunca a procurei, ainda não toma conta de mim tal ganância, ela apareceu
na sobriedade menos esperada para uma inesperada entrada triunfal
chegou quase em silêncio, transparente...
E assim permanece até hoje, porém sempre, pois se há volta a dar, que não me mintam na existência de Nenhum, de Nenhum coração que bombeie.

: À minha Harmonia

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Au Revoir Chanson!

Parte já.
Porque esperas e admiras insensato esta flor exangue que se deleita no trilho?
Parte! que vais tarde e já nada pesas. Se não fosses ainda o ar que me sufoca perdia em mão de glória, já!
E é o amor que aflora, mas parte! Que já é hora, é hora de velar... A nuvem negra já te espera. Porque demoras? Parte meu Amor e promete que nunca mais voltas. Eu ainda espreito o Sol na saudade que devoras.Devoro a todos os segundos trémulos... Mas parte! Que me vais roubando o prazer dos segundos que de nojo se confortam. Parte e deixa as horas que me restam porque te peço, meu Amor. Mas não ouses perguntar, abraça o trilho e parte! Parte, que ainda vives e não te demores! Esperam-te no cais em que em ti calcetei a primeira pedra da vida em morte. Perdoa-me, mas parte!

quarta-feira, 25 de maio de 2011

I

Previ o sustenido da tua respiração
No pleno acto da consumação
A apoteose triunfal das palavras mudas
No concreto saber da lassidão
Eu vi nos traços amargos do teu rosto
Uma cascata que chorava entre as rochas
Eu vi nas tuas mãos a angústia da fantasia
Nas entrelinhas da música que eu fazia
Mas não cantaste a vida no sopro
Cantaste sim, em trémulo desgosto
A expressão tímida da paixão
E da razão que conduziu cega a perdição…
Se contrariasse talvez de pó me construíam
Se me tentasse talvez de loucura me pregariam
Se me entregasse…
Nem na morte me destruiriam
                                                                                                                     
                                                                                                           (e assim é, por certo)

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Curso Inato

Elas não passam… atormentam
Dormem ao vento de uma passada
Esmorecem ao som da saudade             
Vivem intensas no suor da verdade…
São justas nas injustiças da idade
Apagam-se nas luzes da vingança


E CORREM, correm, correm…

Sem rumo, correm com ganância
Essas horas que roubam a sinceridade do prazer
Essas horas que nada nos podem dizer
Essas que teimam em tudo por apenas saber.