sexta-feira, 2 de agosto de 2013


Espero. Por onde debita o colibri o seu cântico incerto
Por entre a casa que mora sozinha.
Espero, em extâse, pelas fadas e a Quimera na noite escondidas
Pela serpente que pelo fogo sibila, que anseiam apoteoses cor de lis.
Espero, porque tenho vontade de esperar, porque não existe
Nem tempo nem o momento. Apenas espero.

Ausência.
"Espero pela vida".
Pairavam no ar penas e luzes trémulas
"Espero pela vinda".
E o pano caiu. 

A espera é a vida que morre na quimera do exílio.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Resurrezione

Eu vinha de longe, extasiada por quimeras, seca como cipreste
Contudo lúcida e porém calma.
Vinha e ia, mas nao sabia.
Talvez seria por entre a lagoa onde te afundavas que passaria
Talvez seria pelo pantano escabroso onde te pisaria
Ou talvez, por mero acaso, fossem os campos de concentraçao onde trocámos rubis clandestinos
Não, meu amigo, não nesses campos. nos outros, onde sorriamos.
Eu não sabia.
Mas teria de passar, de voltar, de te atravessar.
Mas não podia o tanto quanto queria.
E entao descansei, à chegada solene da madrugada encolhi-me
Abriguei-me no sopro cadente das estrelas, onde do tumulto se ergueu a harmonia.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Monstro

E é sempre atento no terror em que habita
Que o monstro cravado de lírios, em fraqueza cadente,
É livre e circunda teus pés
Ao passo lento que te abisma.
E persiste, longinquo, na escalada de breu
Que prenuncia o teu hábito de monge ébrio.
Mas o que espera,
Sabe-lo-à mais uma batalha perdida
Que é o caminho que encerra
A ilusão que te amordaça as amarras,
É a fadiga perene da nossa conjuntura
que persiste- sempre a persistência-
do nada que se apodera
de ti e de mim,
numa dança soberba, que implora
eternidade.

Mas dançaremos, até que caiam todas as vestes
e desnudos de olhares perversos
gritaremos a quem nos rodeia
a todas as ledas bocas endurecidas
que a loucura, será sempre,
o maior elogio da felicidade, que cai
entre o espaço abismal, na esfera traqnuila
do que é não amar.

Não Te amar! Nunca...
disto será feito o nosso ópio,
apenas a paixão nos envolverá
num céu amargo e lúcido
que atormenta a inveja
dos troncos ocos e cegos,
dos hábitos crassos e dos livros velhos
que esperam o Poeta que foste
e que nunca voltarás a ser.

(Conquanto, ainda escuto as folhas secas quebrarem-se ao vendaval dos teus passos)

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Apóstrofe

Serpente, sombra da sorte serena que se inicia na sonolência
Dos sinistros sons circundantes.
Ciranda sadicamente por entre os sábios sibilinos da razão
Os seus segredos cintilam por entre os cílios certos de suor ou lágrimas.

Serpente, que por entre as silvas semeias a sede
De onde os sentidos te escutam tão certos
Por serem o sangue sinuoso das avenças perversas
Dos amantes Silvestres...

Serpente! Avisa-os que as heras imortais vos envolvem
Mascaradas de ciprestes.
Avisa, mas toda a sentinela ignora avisos
Nunca sabendo a sua magnificência hostil... Serpente Cor de Ciano... 

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

II

Em que razão se apoia o cego
Na contemplação das cores
Que perdem o sentido
Se na razão lhe pintam dores?
E em que passo ouve a calma
Do cego sonhador, que sereno
Entoa a voz de um Trovador?
Em que parte jaz a cega virtude
Se na cegueira se pinta de negra atitude
E do romance se assassina
A esperança, que venha ela
da Juventude...

Espelharás a dor no suspiro inquieto
Que te imaginas incerto num vidro desnudo.
Nessa virtude que fará voar cego
E na plenitude do mistério que vive do som
Patente da glória que esmorece a vitória
Seríeis perdedor na tua dança do pecado
E em volta do abismo ledo
Desanuviaríeis a inspiração na escritura iminente
Que revolveria das Frias Vontades.

2-05-11

Serpente

Perdido, inútil.

Corre sem rumo pelas areias
                                            mortas
                                                       e
                                                          sem
                                                                 cor.

Derrete    a           cada               passso                                sssoofrido.
a cada inspirar sseco,
a cada movimento BRUSCO

                                                        Onde
                                                         está
                                                         ela?
Serpente encantada de cor Ciano e Prata. Revestida de Pérolas e Diamantes escorridos pelo veneno Bo...o...r..bo...lh...ante..o.o.oo....ooo

A cada canto vazio percorrido ________________________________________________________|
a cada olhar de procura no i
                                       n
                                   f
                               i
                           n
                       i
                   t
               o  areal, onde o horizonte é turvo.
A cada receio soma-se menos menos um triângulo de esperança.
                                                                       

É incessante a busca, inevitável a dor, necessário o reencontro. Mas é demais!
A noite cerrada cai e apenas se ouvem os abutres. Sente-se o cheiro a de-com-po-si-ção e os Lábios regelam. Logo se sente o devastador arrepio.

                                                                    Ele adormece e acorda ao lado da Serpente, agora pó, morta, apenas.
Pinga em sua mão as  últimas gotas do veneno da união. 

Era a única conciliação possível, mas vivendo apenas de dia
tudo se ouviu, mas nada se entendeu. 

"I have to see you again and again
Take me, Spanish Caravan
Yes, I know you can."

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

KGB

Se conheço o vago das palavras,
A consistência doce do silêncio,
O amargo que fervilha no grito...
O amâgo, o bálsamo da respiração
O negrume que invade a lucidez,
púdica, nua.
Se passo, depressa, a longo passo
Alongo a rispidez pálida,
A aridez da contemplação, vaga...
Então desconheço cor,
Intocável prelúdio, o presente abatimento,
O marasmo e o desvio
Esquecimento... Morte. Oh,
Sempre o mais Doce Silêncio,
O som preenchido...
A cábula da Vida!
O desgosto da Hipocrisia...