segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

II

Em que razão se apoia o cego
Na contemplação das cores
Que perdem o sentido
Se na razão lhe pintam dores?
E em que passo ouve a calma
Do cego sonhador, que sereno
Entoa a voz de um Trovador?
Em que parte jaz a cega virtude
Se na cegueira se pinta de negra atitude
E do romance se assassina
A esperança, que venha ela
da Juventude...

Espelharás a dor no suspiro inquieto
Que te imaginas incerto num vidro desnudo.
Nessa virtude que fará voar cego
E na plenitude do mistério que vive do som
Patente da glória que esmorece a vitória
Seríeis perdedor na tua dança do pecado
E em volta do abismo ledo
Desanuviaríeis a inspiração na escritura iminente
Que revolveria das Frias Vontades.

2-05-11

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