sexta-feira, 15 de abril de 2011

Curso Inato

Elas não passam… atormentam
Dormem ao vento de uma passada
Esmorecem ao som da saudade             
Vivem intensas no suor da verdade…
São justas nas injustiças da idade
Apagam-se nas luzes da vingança


E CORREM, correm, correm…

Sem rumo, correm com ganância
Essas horas que roubam a sinceridade do prazer
Essas horas que nada nos podem dizer
Essas que teimam em tudo por apenas saber.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dormência


Retiro do sono
A palavra severa
De livre miséria
Que durmo no sonho
Do sono que vive
Do sonho que cresce
Em ti que não sonhas
O sono desvanece
E na palavra que retumba
Adormece-te a pálpebra
E ainda esperas de um sonho
O sono que te acalma?

quarta-feira, 23 de março de 2011

Kronos


Quem cala o eco
Digno misantropo
Na calma devassa
O grito etéreo, arritmo
Dissonante na alma
De um deslize
Que se denuncia na palma
Alma… tenha calma
Tento
E perspicácia
Torne ataraxia
Para que elucide
Ignorância de viv’alma…! 

Salvador Dali - o Tempo

terça-feira, 15 de março de 2011

O Que Eu Vi…


O que eu vi
Na triste leitura da tua íris
Um mergulho disperso no vago
Tão profundo que atrasou o tempo
De anos e memórias que não conteve
Chorou ao som do esbater da luz
Envolvia-o com as minhas medidas
E acompanhava, na incompreensão, o seu trovo

Qual afago ou ternura…
Soluçava sem amparo
Meus olhos congelados assim permaneceram
Tentei cantar o embalo

Tornou um calor de chão trémulo e árido
A luz voltou… e o som!
As cores e os odores
Foi quando acordei, numa continuidade ofegante
E cai em meu amante então dilacerado
Que baqueou o meu compasso
Mas… atentei… e indaguei
Como dormia tranquilo! No seu doce respirar
Que massaja os seus lábios minuciosamente pintados
De um tom leve e de prumo, que se mantinha claro
Como o nada que esconde a orquídea do campo azul
Que é só tristeza… que não dorme a alma…
Que contém, nunca extravasa
Se é linda! Esta minha teia em meus cabelos enlaçada
Que não chora! E se chora de firmeza
É linda! E nobre…
E eu… tão fraca e feia

Um pouco mais de azul e serias fraca oh teia
Um pouco mais de razão e eu ficaria aquém oh harmonia
Assim findamos e compensamos o amor
Na mais estável fúria dos nossos lábios

Meu Amor, por quem te chamo, Este é o caminho, com todas as pedras em sintonia.

domingo, 13 de março de 2011

Libertação

Se me ponho Romântica
Ultrajo a irrelevância
(Não peco em silêncio)
Vingo a ganância

Se nele se desacredita
Apedreja-me a noite interdita
(Não peco em silêncio)
Venero a dor, expedita!

Crio fardos em lábios
Confundem odes os sábios
(Já não peco em silêncio)
Mantenho cativos os doces escárnios

Induzida, fria, altiva
Estagno a brisa nociva
Agora grito o pecado (em silêncio)
Agonizo o Amor que se aviva…

Veneno


Dominei o véu da demência
Num silêncio absorto, porém quebrado
Por ora em constância
De tal seriedade fictícia
Numa credibilidade nula abraçada
Leu-me a mim e em mim, com veemência
Um cheiro putrefacto, um suspirar abstracto
De uma alma perdida no olfacto, no toque, no acto
De um olhar vago, um contemplar morto
- É esta a loucura de um objecto inanimado.

sexta-feira, 4 de março de 2011

Entre o Negro e o Azul

Qual a cor dos degraus que encontra a pétala
Adormecida
De tez plena e terna ou exângue, fria
Lívida
Num furto intencional de pele doce
Esquecida
Pelo frio que demanda a clareza
Estarrecida
Pela porta de negro carvalho alto
Estremecida?

















(Parou)
Envolto da cega luz que prevalecia
Dormente
Enlaçou a cinrcuspecção trémula, suspirando
"Sente...!"
Trôpega pétala, desmaiando a chama pelo degrau
Lentamente
Tornando seu olhar vago ao sensato
Clemente
O véu desmoronou na brandura que
Mente
O auditório sorria prolixo e
Tristemente...


(Bravo! Palmas!) - de um Alguém-Decadente