segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Cidade

Procuro nos cantos da cidade
O canto lírico do teu sabor
Onde adorno as asas enegrecidas
Que cobrem inertes o teu pensamento.
Acredito que descubras as noites
Onde encantas a terra prometida,
E eu espero a tua chegada.
Um dia.
Onde o Sol inebriará o teu sorriso doce,
Onde o calor dos nossos olhos será preciso,
Onde o luar nos encontre, longe destas luzes indecentes da cidade.

Primeiro poema (2005)

Felicidade.
Tê-la-emos nós neste repugnante mundo?
Mundo de egoístas. Oh! Lúgubre mundo…
Melancolia que me acompanhas,
Em minhas vastas e sombrias caminhadas
Que apenas fazem sentido em minhas fantasias.
Oh! Lastimáveis fantasias…
Lamentável, meu caro deplorável,
Ventura neste mundo não teremos,
Apenas após a nossa ruína a encontraremos.

Juntos, na concórdia de nossas almas.

(Partilho só por piada, o meu primeiro poema com 11 aninhos de idade)

terça-feira, 5 de abril de 2016

"Sobre a razão estar cega..."

Enquanto escuto a razão
Sigo uma canção que já não sei interpretar.
O compasso acelera, aperta e desespera
Vejo duas luzes que se fundem, estalam,
Fazendo com que o tempo ecoe o teu nome.
Sucumbe a esqualidez nas flores da sala,
Enquanto oiço os teus passos em cima do muro,
Escolho ouvi-los, mas não consigo senti-los.
Mas ainda sinto, sinto muito, mas já não te sinto.
A canção que escutas já não a sei decifrar.
Perdi o nosso rumo, na direcção oposta em que sorríamos.
Para mim, serás eterno, mas nós já não o somos.
Escuta o ténue caminhar pela brisa e leva tudo de mim. 
Tudo de nós.
Também o farei, com a sensatez que sempre nos entregamos.
Juntos, mas longe.

O coração nunca para de bater

Adeus

A Noite Pertence-nos

Respiro devagar,
Tento conter a imensidão das ondas que me perseguem
Vou-me afogando nos segundos eternos, 
Enquanto a embarcação acena, ao longe.
Escuto, bem perto de mim, essas questões
Encontro, de forma clara e sensata, essas respostas.

É ter o corpo coberto de ti, é saber a direção, é encontrar-me.
É saber que o dia foi feito para nós e que as noites nasceram de nós.
É ter a certeza de que esse barco resplandece esperança
E que a sua tripulação não sentirá mais dor.
A angústia quer expelir as palpitações desmesuradas,
Mas a vida ainda aguarda serena a nossa chegada.
Fiel aos ensinamentos, serei a manifesta razão do coração.
Não, eu não me perdi.
Apenas cheguei ao entardecer, através desses olhos que vi.

Os teus olhos.

A embarcação despediu-se, mas sorrindo.


Felicidade Sem Fronteiras

Os anos passaram, uns intrépidos outros receosos
Mas voaram ferozes, estremecendo a abundância
Que sentíamos perante a vida.
Encontrámos sentido na simbiose das nossas almas
Ainda que por efémeros momentos… mas encontrámos.
Foi o inicio da canção que, até hoje,
Nos faz adormecer, sorrir, entristecer, seguir.
Os anos passaram, mas as memórias permanecem
E parecem possuir-nos, de louca sensatez,
Nos recambiando para a ingenuidade dos nossos lábios,
Do nosso toque, das nossas descobertas.
O fumo emanado dos nossos cigarros
Nos fazia sonhar com a boémia futura, com o fruto proibido,
Com um amor escondido, longínquo, a ser vivido.
Os anos passaram e a saudade só engrandeceu
De forma doce e eterna, o sentido que procuramos existir
Na fria e nostálgica amargura da igreja que consagrou o beijo.
Afinal os momentos terão sido perenes…
Renasço com tuas palavras sinceras,
Que me abraçam na turbulência das horas
Aguardando o encontro das andorinhas que fogem da monotonia
Tentando ser livres da tragédia de morrerem ilesas.
Dançamos ao sabor das luzes intermitentes
Por entre os estranhos que nos amam,
Cumprindo as lágrimas que devemos àquela inocência perdida,
Mas continuando a amar, juntos, a genuinidade da nossa esperança.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Inexistência

Seus olhos choram cortinas cinzentas
Que escorrem nas lágrimas do rio turvo.

Nosso rio embarca pelo vento da solidão
Enquanto o timbre do seu equilíbrio
Desvanece pelas alucinações oníricas.
A lua vira costas aos cantares solenes
Bradando aos velhos incandescentes.
Segue nua, enquanto remenda os passos erróneos
Que se esquece de lembrar, mas que ousa interpelar.
Ela suspira sob a chuva,
Enquanto a gravilha entorpece seu inconsciente
Gravando, na sua alma velada,
Memórias embriagadas de um tempo que nunca existiu.


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Tempo Confidente

Observo, distante, as serras que se encontram no fim do céu.

Canto líricas enternecidas por ritmos quentes,
Que abraçam as entrelinhas da minha saudade.
Sorrio quando estou sozinha
Para saber que ainda procuro a irremediável felicidade
Que me mantém, ainda que longe,
Junto dos seus segredos mágicos.
Anseio poder contemplar as tuas asas
Que se alongam até aos lábios frios do Tempo.
Este Tempo... que corre, a cada dia, com mais pressa,
Com menos esperança, mais amargo,
Num balanço triste, mas acelerado.
Aquele confidente que chega sem avisar,
Que te deixa feliz,
Que permite que te encontres,
Que te mantém atento aos despertares...
Mas que te consome!, de maneira egoísta,
Entregando-te a perene incerteza de nunca mais voltar.

Quero a mocidade do teu elixir celeste,
Que abrasa o feminino toque esquecido das pétalas
Que sobre nós correu quando te encontrei.
Mas é fatal saber que não posso consumir
Os lábios doces da magia eterna
De um remoto, mas tão lúcido momento.

Vou caindo, devagar, enquanto anseio e desejo
Que aquele confidente me encontre, me ampare,
Tentando amenizar a sua constante partida,
Que não espera, que é lúgubre, incontrolável,
Necessária.

O Tempo saiu, para nunca mais voltar.